OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA 2014 – MEMÓRIAS
LITERÁRIAS
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Colégio Estadual Juvenal Mesquita –
Ensino Fundamental e Médio
Bandeirantes – Paraná
Cornélio Procópio
LUÍS HENRIQUE FERREIRA DE BRITTO, 14,
7º., B
75
Há setenta e cinco anos moro em
Bandeirantes.
Cheguei em 1939 com onze anos. Naquele
tempo Bandeirantes chamava-se Invernada.
Só havia mato. A
estrada de ferro que já teve vários nomes: Estrada de Ferro São Paulo-Paraná (1930-1944), Rede de Viação Paraná-Santa
Catarina (1944-1975) e RFFSA (1975-996) - trouxe o progresso e também o novo
nome: Bandeirantes.
Naquela época, criança tinha responsabilidade.
Criança ajudava em tudo que fosse possível. Tratar dos animais, das aves,
recolher os ovos, carregar lenha, baldear água, limpar cova de de pé de café,
capinar, plantar, colher. Havia pouco tempo para brincadeiras. Escola? Poucas
crianças a conheciam. Eu freqüentei o Grupo Escolar Zulmira Albuquerque durante
cinco meses. Caminhava 10 km todos os dias para ir à escola. Só aprendi o
básico do ler e escrever.
Bandeirantes já foi uma cidade essencialmente
agrícola. E tinha fortíssimos cerealistas. Nos armazéns conheci um trabalho duro. Ambiente sujo, carregado de
poeira.
Na Prefeitura atuei no mundo da fabricação de alfalto.
Ajudei a asfaltar muitas ruas.
Enfim fui para o Grupo Escolar Juvenal Mesquita. Ali
fui coordenador da horta. Até hoje é possível ver árvores plantadas por mim.
Em 1934 fui sorteado para participar da 2ª. Guerra
Mundial.
Guardo com muito carinho algumas lembraças: meu
paletó do casamento, um canivete que ganhei do meu amigo Leonel, um quadro com
a foto minha e da minha falecida mulher, um santinho do Sagrado Coração de
Jesus (com 75 anos) e uma imagem de São Sebastião (sou devoto dele).
Ganhar ou perder não é o mais importante. Importa
viver os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos de forma honesta
e feliz.
Que venham os obstáculos. Superá-los um a um é a
tarefa de cada dia. Amém!
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